quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Acervo

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) tem em seu acervo cerca de 8.000 obras, entre óleos, desenhos, gravuras, esculturas, objetos e trabalhos conceituais, constituindo grande patrimônio cultural com decorrências sociais nacionais e internacionais. São obras de artistas como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila, Rego Monteiro, Portinari, Oiticica, De Chirico, Modigliani, Boccioni, Picasso, Chagall, entre tantos outros.
Multiplicador do saber e da excelência do próprio acervo, sempre acompanhando os desafios sociais, o MAC USP é uma grande sala de aula, laboratório e espaço aberto a todas formas de diálogo e criação que expressem a densidade da arte contemporânea - ponte para todos os processos que envolvem a vida do homem atual, espaço para todas as linguagens, poéticas e ousadias.

A França no MAC

No ano da França no Brasil a exposição se desdobra nos dois espaços do MAC USP para mostrar não só os artistas franceses, mas o reflexo da Escola de Paris na produção de outros artistas do acervo do Museu. Na Cidade Universitária estão pinturas e esculturas de André Masson, Georges Braque, Henri Matisse, Cesar Baldaccini, Kandinsky, Chagall, Picasso e Fernand Léger, entre tantos outros. No Ibirapuera estão obras em papel de Pierre Soulages, Jean Tinguely, Henri-Georges Adam e Jean Rustin, entre outros artistas.
Período : 1/9/2009 a 15/11/2009 Local : MAC USP - Cidade Universitária e Ibirapuera Funcionamento: consulte em cada espaço

A França no MACLisbeth Rebollo Gonçalvesdiretora MAC USP
Lançamos aqui um olhar sobre o acervo internacional do MAC, focalizando a presença da França nesta coleção, iniciada por Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado na segunda metade dos anos de 1940, depois de finda a segunda grande guerra.
Na época, havia no mercado internacional a possibilidade de compra, a bom preço, de obras de nomes significativos da história da arte do século XX. O casal Matarazzo, com a orientação de críticos brasileiros e estrangeiros, adquiriu, então, obras de artistas expressivos nos movimentos de vanguarda.
Na Cidade Universitária apresentamos um recorte dessa coleção que permite uma aproximação à arte moderna através do contato vivo com obras de artistas relevantes nesse contexto. Uma sala especial nos remete aos artistas procedentes de diferentes países que se afirmaram no universo da abstração, por via da ação cultural da galeria Denise René. A obra Expansão Controlada, de César, uma das premiadas na IX Bienal de São Paulo, em 1967, foi comprada pelo MAC no ano seguinte. O artista foi um dos expoentes do Novo Realismo, movimento que se desenvolveu na França ao longo daquela década.
O recorte que apresentamos na sede do Museu no Parque Ibirapuera permite uma aproximação ao acervo em suporte papel que, em conjunto tão expressivo, raras vezes foi mostrado no MAC. Há obras de artistas, como Henri-Georges Adam, Jean Arp, Honoré Marius Bérard, Alexandre Bonnier, Louise Bourgeois, Jean Dewasne, Anne Ethuin, Félix Labisse, Henri Laurens, Alfred Manessier, François Morellet, Roman Opalka, Jean Rustin, Pierre Soulages, Roger Viellard, Hervé Fischer, Fred Forest e Jean Paul Thenot.
No Ano da França no Brasil a exposição homenageia um país amigo que é um símbolo da cultura e da arte.
César BaldacciniNa sua produção artística, César possui três momentos principais em seu trabalho: o das esculturas metálicas, o das Compressões e o das Expansões.
Expansão Controlada representa uma fase antagônica a Compressões (1960 e 1965), fase anterior da produção de César. A série Expansões é realizada como um happening, tendo na preparação a presença do público. No final da década de 1960, são realizadas expansões públicas em diversas cidades como Munique, São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu. Resina líquida de poliuretano é utilizada como matéria-prima. Esse material, entre suas características, possui capacidade de expansão, aspecto atribuído por possuir um catalizador na mistura que se cristaliza ao ar livre. A encenação na produção do objeto artístico é utilizada por críticos de arte para classificá-lo no "novo realismo”. Esse movimento artístico, liderado por Pierry Restany , alia percepção e comunicação sensíveis à intuição cósmica. Integra técnica industrial, mass-media e publicidade à poética da vida urbana contemporânea. Contudo, o diferencial de Expansão Controlada encontra-se na sensação de controle, que se manifesta, tanto na sua forma como em suas cores, que apresentam um espectro neutro. Nesta obra, pertencente ao Acervo do MAC USP, observa-se a interferência do artista, na medida em que a expansão do material é controlada e dirigida, tanto em nível cromático como formal.
Alecsandra Matias de Oliveira
Galeria de Arte Denise René
As 13 obras que aqui se apresentam testemunham a intensa atividade da galerista parisiense Denise René. Na liberação de Paris, no fim da II Guerra Mundial, Denise René abre as portas de sua galeria para dar visibilidade às tendências da abstração na França, além de render homenagem aos mestres da Escola de Paris no entre-guerras. É justamente na relação com artistas como Max Ernst e Francis Picabia, que vivenciam o ambiente da Escola de Paris e, com artistas mais jovens do pós-guerra, que ela constrói um espaço para propor uma interpretação do fenômeno da abstração naqueles anos.
Jean Arp, Cícero Dias, Alberto Magnelli, Hans Hartung, Pierre Soulages, Serge Poliakoff, Francis Picabia e Victor Vasarely são artistas cujas carreiras perpassam sua representação por Denise René. Uma das questões fundamentais que constituem o diferencial das atividades da galeria nos anos 1950 e 1960 é o fato de Denise René buscar sempre colocar a produção francesa em relação às tendências internacionais, privilegiando artistas de raiz construtivista – e países da então cortina de ferro, como a Polônia -, bem como construir a ponte entre a produção latino-americana e a produção européia. Além de propulsora das tendências abstratas daqueles anos, Denise René também articula o grupo de cinéticos à sua volta. Com a exposição Le mouvement [O movimento], organizada em 1955, a galerista torna-se uma referência na evolução do cinetismo, ampliando o espaço para artistas latino-americanos como Julio Le Parc e Rafael Jesus Soto, ao lado de Vasarely, entre outros.

Uma Aventura Moderna - Coleção de Arte Renault

Mostra com 81 obras da coleção de arte da montadora francesa Renault, de artistas como Joan Miró, Jean Dubuffet, Victor Vasarely, Arman, Erró e Niki de Saint Phalle.

Período : 11/9/2009 a 15/12/2009 Local : MAC USP Ibirapuera - Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3º piso Funcionamento: Terça a domingo das 10 às 18 horas

Lisbeth Rebollo GonçalvesDiretora do MAC USP
Receber a exposição Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault é motivo de orgulho e um privilégio para o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. É a primeira vez que este significativo acervo se apresenta no nosso país. Fato adicional importante é que a mostra aconte-ce no Ano da França no Brasil, um momento especial para mostrar ao público brasileiro os aspectos relevantes no campo da arte e da prática cultural de instituições francesas.
A coleção, que nasceu de um projeto voltado para as artes visuais criado pela renomada empresa francesa Renault, tem hoje grande importância, por várias razões. Uma delas está relacionada à história do colecionismo no século XX, e advém do fato de ser um exemplo de mecenato que se voltou para a arte contemporânea e estimulou a pesquisa e a experimen-tação, reunindo, em um acervo, artistas que marcaram época na França.
Outra razão decorre da aproximação - sempre significativa na história da arte - entre a indústria e a produção artística. No caso da Renault e da arte contemporânea, o elo se traduziu na possibilidade de recursos técnicos, em logística e financia-mento para o ato de criação dos artistas atuantes no cenário cultural local e internacional. Este foi o eixo do projeto que, em 1967, moveu o programa Pesquisas Arte e Indústria (Recherches art et industrie) que a empresa Renault instituiu e que motivou o processo criativo de inúmeros artistas.
Naturalmente, uma terceira razão da relevância da Coleção Renault relaciona-se ao perfil do conjunto de obras do acervo que se formou e do qual temos, no Mac, um representativo recorte em exposição. O acervo construído reuniu trabalhos de Arman, Dubuffet, Tinguely, Júlio Le Parc, Jesús Soto, Luis Tomasello, Victor Vasarely, Jean Dewasne, Jean Degottex, Dominique Thiolat, Jean Fautrier, Joan Miró, Robert Doisneau, Martin Barré, Simon Hantaï, Erró, Takis, Niki de Saint-Phalle, Alechinsky, Tàpies, Matta, Georges Poncet, Rauchenberg,Sam Francis, entre outros, todos eles artistas que marcaram a trajetória da arte nos anos de 1960 e 1970.
Jamais tivemos, no Brasil, a oportunidade de ver juntos, em uma só mostra, tantos artistas internacionais ligados a este período da história da arte, com tão representativo conjunto de obras. Agradecemos a Renault e a CulturesFrance por esta preciosa oportunidade. Uma Aventura Moderna - Coleção de Arte da Renault que se apresenta no MAC-USP organizou-se com a curadoria da historiadora e crítica de arte Ann Hindry, conservadora da Coleção. Seu ensaio enriquece com informações a aproximação da história e do perfil deste acervo.
Um Encontro Histórico
Ann HindryCuradora da exposição
A exposição Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault, que reúne alguns dos artistas mais significativos da história da arte da segunda metade do século XX e, princi-palmente, do período excepcionalmente fértil e seminal dos anos 1960 e 1970, é elaborada a partir de uma seleção de obras da coleção da montadora automobilística, constituída naquela época. Pioneira em matéria de mecenato empresarial, ela demonstra as relações férteis que podem ser estabelecidas entre os artistas e os príncipes dos tempos modernos que são os industriais.
A história da arte, como a da sociedade econômica, prospera há quarenta anos. A arte contemporânea tem hoje total visibilidade. É motor da sociedade, elemento especulativo, fator sociológico de status e poder. Em todos os países economicamente desenvolvidos, as empresas disputam os jovens artistas em evidência. Os fóruns “arte e empresa” multiplicam-se. A arte tornou-se realmente contemporânea da sociedade na qual se elabora. Sua forma é múltipla, fala-se menos de quadro e escultura do que de imagem e objeto. Os mais diversos dispositivos criativos, em termos formais, são empregados. As fronteiras entre as disciplinas se diluem. A arte desceu definitivamente de seu pedestal subjetivo para entrar no domínio da demanda e da oferta. Na França, atual-mente, as duas grandes empresas do luxo concorrem, ao menos na mídia, com base em suas intervenções no mercado da arte contemporânea.






Foi muito bom para todos nós, termos tido a experiência dessa visita, tivemos a oportunidade de conhecer diversas obras e artistas, admirando de perto esculturas, pinturas que antes nao conhecíamos.

Sendo assim concluímos que essa foi mais uma experiência que enriqueceu nosso aprendizado bem como promoveu a nossa interaçao com um pedaço do mundo.
Anita Malfatti
São Paulo, SP, Brasil, 1889 - São Paulo, SP, Brasil, 1964A Boba, 1915/16

A Boba , assim como Torso/Ritmo, da coleção MAC, faz parte dos trabalhos expostos em 1917, considerados o clímax de sua produção expressionista. Em A Boba, a figura é retratada com uma expressão vaga. Linhas negras delineiam e ressaltam essa expressão sobre um fundo abstrato, elaborado com rápidas pinceladas diagonais. Esse sistema plástico é sublinhado pelo uso de cores fortes e da tinta diluída em terebintina. É marcante a liberdade da artista na elaboração do tema e no título dado à obra. Essa pintura, entre outras de Malfatti, provocou um confronto entre a arte acadêmica e a arte moderna. A artista disse: “Quando viram minhas telas todas, acharam-nas feias, dantescas e todos ficaram tristes, não eram os santinhos do colégio”.

MAC


MAC



O Museu de Arte Contemporânea da USP é um dos mais importantes museus de arte moderna e contemporânea da América Latina. Seu acervo possui cerca de dez mil obras - entre óleos, desenhos, gravuras, esculturas, objetos e trabalhos conceituais - de mestres da arte do século XX como Picasso, Matisse, Miró, Kandinsky, Modigliani, Calder, Braque, Henry Moore, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Volpi, Brecheret, Flávio de Carvalho, Manabu Mabe, Antonio Dias e Regina Silveira, entre tantos outros.
O MAC foi criado em 1963, quando a Universidade de São Paulo recebeu de Francisco Matarazzo Sobrinho, então presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo, o acervo que constituía o MAM. Além desse acervo que se transferiu para a USP, Matarazzo e sua mulher, Yolanda Penteado, doaram suas coleções particulares ao novo museu.
Mesmo ligado à pesquisa universitária, o principal objetivo do Museu tem sido – ao longo dos anos – tornar a cultura acessível a todas as classes sociais. Assim, o MAC realiza exposições com obras de seu acervo, oferecendo ao público os mais variados recortes e amplas possibilidades de percursos e leituras pela arte moderna e contemporânea.
O MAC realiza também uma série de exposições temporárias, com obras de artistas brasileiros e estrangeiros, novos e consagrados, que não pertencem ao seu acervo. Torna-se assim, um espaço para a experimentação e para o surgimento e discussão de novas tendências e novos caminhos da arte contemporânea.
Além das exposições o MAC oferece ao público, nos três edifícios que ocupa – um no Parque Ibirapuera e dois na Cidade Universitária – diversas atividades e serviços como disciplinas optativas para graduação, cursos de extensão cultural, atividades de ateliês, visitas orientadas, biblioteca, site na Internet e loja.
Em 2009 o MAC USP inaugurará um novo espaço com capacidade para oferecer suas atividades ao público. Além de propiciar maior área para exposição de seu rico acervo, o novo prédio integrado ao Parque Ibirapuera abrigará atividades educativas, ateliês, residências de artistas e uma intensa programação.